Unibrasil-CRC 10 X 15 Rio Branco - SP

Dia 27/09
Local: Curitiba - PR
Campeonato Brasileiro


Unibrasil-CRC X


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CRC - Viva a grande raça

Texto de Marina Grad Werneck de Capistrano


"E viva a grande raça desses Touros, OLÉ!
É difícil algum toureiro nos parar! OLÉ! É o sangue que ferve no jogo e, após o confronto, vamos festejar!!!”

Maurinho (respeitável senhor Mauro Callegari), era ex-jogador de rugby da Universidade Federal em São Paulo. Recém – casado com Mônica, ele estava afastado dos treinos de Rugby, fato que se deve a não existência de um time em Curitiba. Mônica, arquiteta, tinha Lalo (Eduardo Laguarrigue) como seu chefe e, um dia, comenta do interesse do marido pelo esporte. Lalo foi capitão de um time em Tucumã, Argentina durante um tempo. Decide então marcar um almoço entre eles para mesma semana. Conversa vai, conversa vem, discutem sobre as possibilidades de se montar um time na cidade. Metas traçadas. Dezembro de 1981, Praça Oswaldo Cruz, a bola oval é então “apresentada” para a cidade.
A divulgação do esporte foi feita através de cartazes espalhados em volta da escola técnica. Logo começaram a receber telefonemas de interessados, inclusive de parte da Banda Marcial da escola, já que, muitos dos músicos não se encaixavam em outras modalidades. Viram no Rugby uma possibilidade.
Os primeiros treinos iniciaram em 1983, no Parque Barigui. No segundo semestre do mesmo ano já tinham um time formado. Para provar que eram capazes de competir, Mauro contactou o seu antigo time de São Paulo para uma partida. Subiram mapa acima e ainda como “Departamento de Rugby do Colorado", jogaram na terra da garoa. Assim, perante o Departamento da Associação Brasileira de Rugby, foram aceitos no campeonato. Perdem todos os jogos, mas levam para casa o troféu de melhor “Terceiro Tempo” (evento que acontece após as partidas, onde, com muita alegria e descontração, os times cantam, socializam e comentam os principais lances da partida. Organizado pelos “donos da casa”). Seguem jogando até 87.

 

SEGUNDA LEVA

Com jogadores mais novos agora, o time, em 87, entra em uma fase com caráter muito mais competitivo. Ganham vários jogos. Em 88 são vices da segunda divisão. Sobem para a primeira em 90. Nunca foram vencedores dela, mas sempre se mantiveram entre os quatro primeiros lugares. Segundo o veterano Aluisio Dutra Jr., nessa época o time não tinha preocupação em formar um grupo diretivo para o clube. Às vezes alguém se responsabilizava pelos vinte e poucos jogadores e a tabela de jogos. Corriam o Brasil todo com o time.

Em 1992 conseguem uma área para sediar os treinos, o hoje extinto PAVOC – Parque Aquático e Vila Olímpica de Curitba – até a Prefeitura desapropriar o lugar. Uma inundação, na qual a água chegou à metade das traves em forma de H, acabou com o campo e com a continuidade dos treinos.

Os jogadores chegam perto dos trinta anos e, tento outras preocupações (trabalho, família), não tem mais toda a disponibilidade de tempo para os treinos. Entre 95/96 o time teve altos e baixos, passando por vários lugares, clubes e associações. Mas sempre perdiam os lugares onde pretendiam firmar a sede.

De 96 até 2003 tinham um time forte na categoria juvenil, e chegaram até a serem padrinhos do Desterro Rugby Clube – SC. Com pouco estímulo e dedicação, o time foi ficando para trás.

 

INOVAÇÕES

Mesmo sem uma estrutura competitiva, o time não saiu de circulação totalmente porque, Mauro, não deixou que isso acontecesse. Representa o CRC na Associação Brasileira de Rugby, acompanha os campeonatos, tabela de jogos e mundiais.

No final de 2003 acontece à primeira transmissão da Copa Mundial de Rugby para o Brasil, diretamente da Austrália, sede da Copa naquele ano.

A amizade entre o time sempre foi seu ponto forte. Naquela época não era diferente. A transmissão da copa é definida por Aluisio como um “presente”. Assistiam juntos aos jogos, mesmo sendo passados às quatro da manhã. “Foram 50 dias maravilhosos”. Dias esses que serviram de estímulo para remontarem o time, com vistas de que, agora, o esporte seria reconhecido no Brasil.

Passam a ter uma visão não apenas de time, mas de um clube.
Mauro assume a função de coordenador e marcam, a partir disso, uma reunião. Dez pessoas comparecem. Mas a força de vencer era grande.

 

RENASCIMENTO

O início de 2005 é marcado por várias vitórias. Os Toros são campeões da Segunda Divisão do Brasileiro e da Liga Sul. Voltam os treinos no Parque Barigui, e nos trimestres do campeonato brasileiro, alugam um campo com melhores condições. O time vai tomando corpo e mudanças positivas vão acontecendo. O campo agora é o das Ciências Agrárias da UFPR.

Vence o Desterro depois de oito anos e se torna bicampeão da Liga Sul em 2005/2006. Outra grande conquista foi a organização, realização e conquista das etapas do campeonato paranaense de rugby, difundindo ainda mais o esporte pelo Estado. Contando ainda com equipes de Londrina, Guarapuava, e com mais de um time do próprio CRC, dando chance aos jogadores menos experientes, o Curitiba Rugby conquistou as duas primeiras edições do torneio.

Hoje o clube está juridicamente estruturado. Mantém um grupo de veteranos na direção, com a preocupação nos atletas e nos jogos. O CRC é Declarado de Utilidade Pública Estadual através da Lei 15.149 de 06 de junho de 2006 e 09 de maio de 2007, a Câmara Municipal de Curitiba declara o time de Utilidade Pública, Lei Nº. 12213.

O time passou a contar com equipe feminina a partir do final de 2004 e pouco a pouco as meninas também estão se estruturando e os primeiros resultados apareceram.

Já em 2006 também foi formada a equipe de juvenis, que em sua primeira competição oficial foi campeão da Liga Sul, de maneira invicta e participa, juntamente com o time feminino e o adulto, do campeonato brasileiro da 1ª divisão.


RUGBI NO BRASIL

O rúgbi chegou ao Brasil no século retrasado, e segundo o historiador Paulo Várzea, Charles Miller teria organizado em 1895 o primeiro time de rúgbi brasileiro, em São Paulo; e o primeiro clube a praticar o esporte, o Clube Brasileiro de Futebol Rugby, teria sido fundado em 1891.

O Rúgbi começou a ser jogado regularmente no Brasil em 1925, no Campo dos Ingleses, pertencente ao São Paulo Athletic Club, em Pirituba, São Paulo.

Durante o período de 1926 a 1940 foram organizados jogos interestaduais entre os quadros paulista e carioca. Eram também realizados jogos internacionais, como contra os Springboks em 1932, seleção Britânica em 1936.

De 1941 a 1946 houve uma interrupção nos jogos, devido à Segunda Guerra Mundial, sendo retomados em 1947.

Em 1960, jogadores do São Paulo Athletic Club, passaram a jogar representando o clube, formando o Aliança Rugby Football Club, constituído por jogadores Ingleses, Franceses, Argentinos e Brasileiros. Em 1961 o rúgbi ganhou uma nova equipe, formada por membros da colônia Japonesa, denominada São Paulo Rugby Football Club.

Em 6 de outubro de 1963, foi fundada, com sede em São Paulo, a União de Rugby do Brasil, com a finalidade de organizar e dirigir o rúgbi brasileiro. No ano seguinte a entidade patrocinava o III Campeonato Sul-Americano de Rúgbi, quando o Brasil sagrou-se Vice-Campeão.

Em 1966 foi realizada a primeira partida entre duas escolas de ensino superior. Numa tarde chuvosa de outubro, defrontaram-se as equipes da A.A.A. Oswaldo Cruz (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e A.A.A. Horácio Lane (Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie).

A partir de 1971, começou a se desenvolver o rúgbi Infanto-Juvenil em São Paulo.

Em 20 de Dezembro de 1972, foi fundada da Associação Brasileira de Rúgbi, em substituição à União de Rugby do Brasil, sendo reconhecida pelo Conselho Nacional de Desportos (CND).

 

RUGBI NO MUNDO

As lendas são cheias de confusões e boatos interpretados com fantasia e imaginação. A história da criação do rúgbi não é uma exceção, surgindo várias versões.

Na versão tradicional, o criador do rúgbi foi William Webb Ellis, um estudante londrino, durante uma partida de futebol realizada em 1823 na Rugby School. O jovem teria ficado irritado com a monotonia do jogo e teria agarrado a bola nos braços e corrido o campo, provocando a ira de seus colegas, que tentaram pará-lo, agarrando-o de qualquer maneira. Teria assim nascido o jogo de rúgbi.

Outra versão acredita que a bola era carregada com os braços com freqüência durante 1820 e 1830.

Estudantes da Rugby School dizem também que a bola carregada fazia parte do jogo há muito tempo, contrariando a história de William.

Apesar da contradição da origem, importantes instituições como a French Rugby Federation concedem grande importância à manutenção do túmulo de William Webb Ellis como um símbolo do surgimento do rúgbi. William viveu como pastor e foi sepultado no cemitério marítimo em Menton, França.

Assim, todos aqueles que praticavam o jogo com as mãos se uniram para padronizar as regras do esporte. O "Football Rugby" teve então um desenvolvimento independente do "Football Association". Em 1871 foi fundada a Rugby Union em Londres, e da Inglaterra expandiu-se para o mundo. No País de Gales, onde o rúgbi tem raízes profundas principalmente na população humilde, encontrou terreno propício para o seu desenvolvimento auxiliado pelo espírito do povo. Posteriormente foi levado para a Escócia, Irlanda, continente europeu (notadamente para a França) e navegou rumo às colônias do Império Britânico: Austrália, África do Sul, Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos da América.

Neste último, fundiram-se, numa volta ao passado, o Rugby e o Association, sendo criado o Futebol Americano. Apesar de possuir características do rúgbi, não pode ser com ele confundido, pois as regras são bastante diferentes.

Um evento importantíssimo para o rúgbi é o Torneio das Cinco Nações, realizado anualmente pelas equipes da Inglaterra, País de Gales, Irlanda, Escócia e França.

Com a evolução do esporte, foi realizado em 1987, na Nova Zelândia e Austrália, o I Campeonato Mundial de Rúgbi, com 16 seleções: Nova Zelândia, Austrália, Inglaterra, País de Gales, Escócia, Irlanda, França, Estados Unidos da América, Canadá, Japão, Itália, Ilhas Fiji, Ilhas Tonga, Argentina e Zimbabwe. A campeã foi a Nova Zelândia, ficando a França em segundo lugar.

O espírito do rúgbi é uma doutrina para seus praticantes. Prega-se que o esporte é praticado por um grupo de trinta pessoas, que somente no momento do jogo divide-se em dois grupos de quinze. Portanto, fora do campo, não há lugar para rivalidades e atitudes antiesportivas. Prova disso é que após as partidas, os jogadores tradicionalmente reúnem-se no chamado "terceiro tempo" em que, com muita cerveja e alegria, cantam, socializam e comentam os principais lances da partida.

Fonte: ABR (Associação Brasileira de Rugby)

 

 

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