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CRC - Viva a grande raça
Texto de Marina Grad Werneck de Capistrano
"E viva a grande raça desses Touros, OLÉ!
É difícil algum toureiro nos parar! OLÉ! É
o sangue que ferve no jogo e, após o confronto, vamos festejar!!!”
Maurinho (respeitável senhor Mauro Callegari),
era ex-jogador de rugby da Universidade Federal em São Paulo. Recém
– casado com Mônica, ele estava afastado dos treinos de Rugby,
fato que se deve a não existência de um time em Curitiba.
Mônica, arquiteta, tinha Lalo (Eduardo Laguarrigue) como seu chefe
e, um dia, comenta do interesse do marido pelo esporte. Lalo foi capitão
de um time em Tucumã, Argentina durante um tempo. Decide então
marcar um almoço entre eles para mesma semana. Conversa vai, conversa
vem, discutem sobre as possibilidades de se montar um time na cidade.
Metas traçadas. Dezembro de 1981, Praça Oswaldo Cruz, a
bola oval é então “apresentada” para a cidade.
A divulgação do esporte foi feita através de cartazes
espalhados em volta da escola técnica. Logo começaram a
receber telefonemas de interessados, inclusive de parte da Banda Marcial
da escola, já que, muitos dos músicos não se encaixavam
em outras modalidades. Viram no Rugby uma possibilidade.
Os primeiros treinos iniciaram em 1983, no Parque Barigui. No segundo
semestre do mesmo ano já tinham um time formado. Para provar que
eram capazes de competir, Mauro contactou o seu antigo time de São
Paulo para uma partida. Subiram mapa acima e ainda como “Departamento
de Rugby do Colorado", jogaram na terra da garoa. Assim, perante
o Departamento da Associação Brasileira de Rugby, foram
aceitos no campeonato. Perdem todos os jogos, mas levam para casa o troféu
de melhor “Terceiro Tempo” (evento que acontece após
as partidas, onde, com muita alegria e descontração, os
times cantam, socializam e comentam os principais lances da partida. Organizado
pelos “donos da casa”). Seguem jogando até 87.

SEGUNDA LEVA
Com jogadores mais novos agora, o time, em 87, entra
em uma fase com caráter muito mais competitivo. Ganham vários
jogos. Em 88 são vices da segunda divisão. Sobem para a
primeira em 90. Nunca foram vencedores dela, mas sempre se mantiveram
entre os quatro primeiros lugares. Segundo o veterano Aluisio Dutra Jr.,
nessa época o time não tinha preocupação em
formar um grupo diretivo para o clube. Às vezes alguém se
responsabilizava pelos vinte e poucos jogadores e a tabela de jogos. Corriam
o Brasil todo com o time.
Em 1992 conseguem uma área para sediar os treinos,
o hoje extinto PAVOC – Parque Aquático e Vila Olímpica
de Curitba – até a Prefeitura desapropriar o lugar. Uma inundação,
na qual a água chegou à metade das traves em forma de H,
acabou com o campo e com a continuidade dos treinos.
Os jogadores chegam perto dos trinta anos e, tento outras
preocupações (trabalho, família), não tem
mais toda a disponibilidade de tempo para os treinos. Entre 95/96 o time
teve altos e baixos, passando por vários lugares, clubes e associações.
Mas sempre perdiam os lugares onde pretendiam firmar a sede.
De 96 até 2003 tinham um time forte na categoria
juvenil, e chegaram até a serem padrinhos do Desterro Rugby Clube
– SC. Com pouco estímulo e dedicação, o time
foi ficando para trás.
INOVAÇÕES
Mesmo sem uma estrutura competitiva, o time não
saiu de circulação totalmente porque, Mauro, não
deixou que isso acontecesse. Representa o CRC na Associação
Brasileira de Rugby, acompanha os campeonatos, tabela de jogos e mundiais.
No final de 2003 acontece à primeira transmissão
da Copa Mundial de Rugby para o Brasil, diretamente da Austrália,
sede da Copa naquele ano.
A amizade entre o time sempre foi seu ponto forte. Naquela
época não era diferente. A transmissão da copa é
definida por Aluisio como um “presente”. Assistiam juntos
aos jogos, mesmo sendo passados às quatro da manhã. “Foram
50 dias maravilhosos”. Dias esses que serviram de estímulo
para remontarem o time, com vistas de que, agora, o esporte seria reconhecido
no Brasil.
Passam a ter uma visão não apenas de time,
mas de um clube.
Mauro assume a função de coordenador e marcam, a partir
disso, uma reunião. Dez pessoas comparecem. Mas a força
de vencer era grande.
RENASCIMENTO
O início de 2005 é marcado por várias
vitórias. Os Toros são campeões da Segunda Divisão
do Brasileiro e da Liga Sul. Voltam os treinos no Parque Barigui, e nos
trimestres do campeonato brasileiro, alugam um campo com melhores condições.
O time vai tomando corpo e mudanças positivas vão acontecendo.
O campo agora é o das Ciências Agrárias da UFPR.
Vence o Desterro depois de oito anos e se torna bicampeão
da Liga Sul em 2005/2006. Outra grande conquista foi a organização,
realização e conquista das etapas do campeonato paranaense
de rugby, difundindo ainda mais o esporte pelo Estado. Contando ainda
com equipes de Londrina, Guarapuava, e com mais de um time do próprio
CRC, dando chance aos jogadores menos experientes, o Curitiba Rugby conquistou
as duas primeiras edições do torneio.
Hoje o clube está juridicamente estruturado. Mantém
um grupo de veteranos na direção, com a preocupação
nos atletas e nos jogos. O CRC é Declarado de Utilidade Pública
Estadual através da Lei 15.149 de 06 de junho de 2006 e 09 de maio
de 2007, a Câmara Municipal de Curitiba declara o time de Utilidade
Pública, Lei Nº. 12213.
O time passou a contar com equipe feminina a partir do
final de 2004 e pouco a pouco as meninas também estão se
estruturando e os primeiros resultados apareceram.
Já em 2006 também foi formada a equipe
de juvenis, que em sua primeira competição oficial foi campeão
da Liga Sul, de maneira invicta e participa, juntamente com o time feminino
e o adulto, do campeonato brasileiro da 1ª divisão.

RUGBI NO BRASIL
O rúgbi chegou ao Brasil no século retrasado,
e segundo o historiador Paulo Várzea, Charles Miller teria organizado
em 1895 o primeiro time de rúgbi brasileiro, em São Paulo;
e o primeiro clube a praticar o esporte, o Clube Brasileiro de Futebol
Rugby, teria sido fundado em 1891.
O Rúgbi começou a ser jogado regularmente
no Brasil em 1925, no Campo dos Ingleses, pertencente ao São Paulo
Athletic Club, em Pirituba, São Paulo.
Durante o período de 1926 a 1940 foram organizados
jogos interestaduais entre os quadros paulista e carioca. Eram também
realizados jogos internacionais, como contra os Springboks em 1932, seleção
Britânica em 1936.
De 1941 a 1946 houve uma interrupção nos
jogos, devido à Segunda Guerra Mundial, sendo retomados em 1947.
Em 1960, jogadores do São Paulo Athletic Club,
passaram a jogar representando o clube, formando o Aliança Rugby
Football Club, constituído por jogadores Ingleses, Franceses, Argentinos
e Brasileiros. Em 1961 o rúgbi ganhou uma nova equipe, formada
por membros da colônia Japonesa, denominada São Paulo Rugby
Football Club.
Em 6 de outubro de 1963, foi fundada, com sede em São
Paulo, a União de Rugby do Brasil, com a finalidade de organizar
e dirigir o rúgbi brasileiro. No ano seguinte a entidade patrocinava
o III Campeonato Sul-Americano de Rúgbi, quando o Brasil sagrou-se
Vice-Campeão.
Em 1966 foi realizada a primeira partida entre duas escolas
de ensino superior. Numa tarde chuvosa de outubro, defrontaram-se as equipes
da A.A.A. Oswaldo Cruz (Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo) e A.A.A. Horácio Lane (Escola de Engenharia da Universidade
Mackenzie).
A partir de 1971, começou a se desenvolver o rúgbi
Infanto-Juvenil em São Paulo.
Em 20 de Dezembro de 1972, foi fundada da Associação
Brasileira de Rúgbi, em substituição à União
de Rugby do Brasil, sendo reconhecida pelo Conselho Nacional de Desportos
(CND).
RUGBI NO MUNDO
As lendas são cheias de confusões e boatos
interpretados com fantasia e imaginação. A história
da criação do rúgbi não é uma exceção,
surgindo várias versões.
Na versão tradicional, o criador do rúgbi
foi William Webb Ellis, um estudante londrino, durante uma partida de
futebol realizada em 1823 na Rugby School. O jovem teria ficado irritado
com a monotonia do jogo e teria agarrado a bola nos braços e corrido
o campo, provocando a ira de seus colegas, que tentaram pará-lo,
agarrando-o de qualquer maneira. Teria assim nascido o jogo de rúgbi.
Outra versão acredita que a bola era carregada
com os braços com freqüência durante 1820 e 1830.
Estudantes da Rugby School dizem também que a
bola carregada fazia parte do jogo há muito tempo, contrariando
a história de William.
Apesar da contradição da origem, importantes
instituições como a French Rugby Federation concedem grande
importância à manutenção do túmulo de
William Webb Ellis como um símbolo do surgimento do rúgbi.
William viveu como pastor e foi sepultado no cemitério marítimo
em Menton, França.
Assim, todos aqueles que praticavam o jogo com as mãos
se uniram para padronizar as regras do esporte. O "Football Rugby"
teve então um desenvolvimento independente do "Football Association".
Em 1871 foi fundada a Rugby Union em Londres, e da Inglaterra expandiu-se
para o mundo. No País de Gales, onde o rúgbi tem raízes
profundas principalmente na população humilde, encontrou
terreno propício para o seu desenvolvimento auxiliado pelo espírito
do povo. Posteriormente foi levado para a Escócia, Irlanda, continente
europeu (notadamente para a França) e navegou rumo às colônias
do Império Britânico: Austrália, África do
Sul, Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos da América.
Neste último, fundiram-se, numa volta ao passado,
o Rugby e o Association, sendo criado o Futebol Americano. Apesar de possuir
características do rúgbi, não pode ser com ele confundido,
pois as regras são bastante diferentes.
Um evento importantíssimo para o rúgbi
é o Torneio das Cinco Nações, realizado anualmente
pelas equipes da Inglaterra, País de Gales, Irlanda, Escócia
e França.
Com a evolução do esporte, foi realizado
em 1987, na Nova Zelândia e Austrália, o I Campeonato Mundial
de Rúgbi, com 16 seleções: Nova Zelândia, Austrália,
Inglaterra, País de Gales, Escócia, Irlanda, França,
Estados Unidos da América, Canadá, Japão, Itália,
Ilhas Fiji, Ilhas Tonga, Argentina e Zimbabwe. A campeã foi a Nova
Zelândia, ficando a França em segundo lugar.
O espírito do rúgbi é uma doutrina
para seus praticantes. Prega-se que o esporte é praticado por um
grupo de trinta pessoas, que somente no momento do jogo divide-se em dois
grupos de quinze. Portanto, fora do campo, não há lugar
para rivalidades e atitudes antiesportivas. Prova disso é que após
as partidas, os jogadores tradicionalmente reúnem-se no chamado
"terceiro tempo" em que, com muita cerveja e alegria, cantam,
socializam e comentam os principais lances da partida.
Fonte: ABR (Associação Brasileira de Rugby)
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